segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sobre o filme "A Vida é Bela"



A Vida é Bela!

A seguir a síntese do filme "A Vida é Bela", vencedor de 3 Oscars, (emocionante, comovente, humano, belo!) trabalhado no CEFET-MA em novembro de 2008, com os estudantes das turmas de Desing (2 ano) e de Eletrotécnica (1 ano), na disciplina de filosofia, tendo como fundamentação teórica o tema: valores, liberdade e Ética. O debate em sala possibilitou questões interessantes sobre os personagens, que no contexto do filme foram envolvidos num cenário de extrema ausência de liberdade e de perda da dignidade humana, os campos de concentração nazista durante a Segunda Grande Guerra. Contudo, a relação de amor entre Guido, sua amada Dora e seu filho Giosué é o ponto-chave do enredo. O amor é o que alimenta o sonho do pai em dar ao filho um presente (por ironia, um tanque de guerra), que certamente virá, se Giosué acreditar que é verdade. O sonho da liberdade, tantas vezes limitado por condições inóspitas, ressurge aqui como presença fecunda de um amor sem limites.
Como culminância das atividades, os jovens filósofos produziram textos dissertativos procurando envolver o tema estudado com o filme apresentado.

Ficha Técnica:

Título Original: La Vita è Bella
Gênero: Comédia Dramática
Tempo de Duração: 116 minutos
Ano de Lançamento (Itália): 1997
Direção: Roberto Benigni
Roteiro: Vincenzo Cerami e Roberto Benigni
Produção: Gianluigi Braschi e Elda Ferri
Música: Nicola Piovani
Direção de Fotografia: Torino Delli Colli
Desenho de Produção: Danilo Donati
Direção de Arte: Danilo Donati
Figurino: Danilo Donati
Edição: Simona Paggi

Elenco: Roberto Benigni (Guido Orefice), Nicoletta Braschi (Dora), Giorgio Cantarini (Giosué Orefice), Giustino Durano (Tio de Guido), Sergio Bini Bustric (Ferruccio Papini), Marisa Paredes (Mãe de Dora), Horst Buchholz (Dr. Lessing), Amerigo Fontani (Rodolfo), Pietro De Silva (Bartolomeo), Francesco Guzzo (Vittorino).

Sinopse: Na Itália dos anos 40, Guido (Roberto Benigni) é levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.

Abraços fraternos a todos os amigos e amigas da sabedoria,
Jorge Leão

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Para os jovens do corpo e da alma

Um texto para os que se fazem jovens sempre, a lembrar da beleza da eterna juventude enquanto corpo e alma somos e estamos...
abraços fraternos,
Jorge Leão
Para os jovens do corpo e da alma

Ficamos aturdidos quando o tempo nos impõe seus limites. Mesmo sem compreender o porquê dos acontecimentos, reconhecemos que somos mortais. Resta-nos então a espera da poeira que baixa, quando a casa festivamente aguarda a chegada de mais um aniversário.

Do mesmo modo, o sorriso deixado pelo amigo que se foi. As lembranças guardadas no baú da saudade. Estes são, de fato, os fatos que se transformam em versos de amor, e abrandam o sentimento de incompletude deixado pela inexorável passagem do tempo.

E o que dizer de nosso corpo, que se perde como as folhas secas do outono? O sereno cuidado dos braços maternos, segredo incontido dos tempos de infância, acaba por desnudar a alma da mais pura beleza da vida. É quando descobrimos que ganhamos e perdemos muitas coisas na vida...

O mistério de um abraço apertado, o doce segredo da primeira paixão, o chocolate escondido atrás da poltrona da sala, os pés sujos de lama, os cabelos molhados depois de um inesquecível banho de chuva, a ansiedade para amanhecer no dia de Natal e abrir os presentes, a vela acesa na sala quando a energia da casa faltava, o cheiro da terra depois da noite chuvosa. Esses são momentos de fecundidade, que traduzem nosso pertencimento ao perene estado de ser jovem.

Ser jovem... Um jovem de vinte e poucos anos, ou mesmo um com os seus cinqüenta, ou quando a juventude aflora em sua magnitude aos oitenta. Não importa o período, o número, a extensão, a medida. O que vale mesmo é a saudade. Por isso, é bom lembrar vivamente o passado presente e esquecer o futuro. O passado não presente precisa ser mesmo passado, e esquecido, pois desprovido de vida.

Os tempos gramaticais pouco contam aqui, quando o que nos mantém vivos é a umidade da terra, prenhe de sinais fecundos, aptos para mais uma primavera chegando. Muitos jovens do corpo envelhecem antes do tempo, pois não têm tempo de ter saudade. São os tempos modernos, dizem os especialistas.

Embora reconhecendo a velocidade do ritmo urbano que nos consome, é possível ainda ouvir alguns sons divinos, é quando sobrevivem no fundo da terra os segredos inesgotáveis dos que se fazem jovens da alma. Talvez o encantamento divinal mais plausível seja o som da eterna juventude que bombeia nossos corações, levando para o corpo a vitalidade cristalina de uma voz milenar, a nos dizer: “viva intensamente cada momento de cada dia”...

Talvez resida aí o segredo do envelhecimento natural. E a irresistível vontade de buscar a fonte de água pura, nas montanhas preciosas da liberdade pelo amor. Quando perguntaram a um mestre iluminado como fazer para alcançar a sabedoria, ele respondeu: “respire profundamente e sentirás a energia da vida, assim terás a sabedoria como companheira”.

Ou seja, o grande mistério da felicidade reside nas coisas mais simples, mais singelas, lavadas com a água da verdade e com o perfume da sinceridade. Pior caminho é esquecer de caminhar. Pior veneno é não amar.

Melhor então é respirar com consciência e ouvir a incansável sinfonia da natureza. Já podemos cantar o hino da felicidade, pois o segredo da eterna juventude reside dentro de nós mesmos. Qualquer busca será em vão, se esquecermos de viajarmos para dentro de nós mesmos. Nesta viagem embarcam os jovens do corpo e da alma, eternos habitantes do reino das graças de Deus.

Jorge Leão
09 de janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Roteiro para avaliação por meio de Seminário

Apresento aqui um breve roteiro para trabalhar com avaliação por meio de um Seminário...

Roteiro para atividade com Seminário

1 - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DOS CONTEÚDOS
(o professor deve expor a fundamentação teórica nas aulas expositivas)

2 - PROBLEMATIZAÇÃO
(aqui o professor poderá trazer questões relativas a uma possível aplicação dos conteúdos com questões contemporâneas, ou ainda trazendo um texto, um filme, ou uma dinâmica de grupo para ilustrar o que foi fundamentado, e isso para qualquer disciplina)

3 - DIVISÃO DA TURMA
(poderá ser feita conforme o número de alunos por sala, o correto é não passar de seis alunos por equipe)

4 - O ROTEIRO DA APRESENTAÇÃO
(o professor deve frisar a importância do grupo trabalhar os problemas em conjunto, evitando com isso a fragmentação em partes, cada aluno "decorando" a sua, e perdendo de vista o todo, e as demais equipes, inclusive; isso dependerá muito de como o professor fundamentou o conteúdo, pois se sua visão também for fragmentada, a tendência será os alunos reproduzirem esse modelo reducionista)

5 - A AVALIAÇÃO DO SEMINÁRIO
( o professor deve propor que as equipes, depois de suas apresentações, socializem na escola os resultados dos trabalhos por meio de uma exposição no pátio, indicando possíveis soluções para os problemas levantados no estudo).

Bem, penso que esses são pontos fundamentais para o desenvolvimento de um bom seminário,

abraços,
Jorge Leão

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sobre a importância da mudança

Amigos queridos, uma reflexão sobre a necessidade da mudança,
abraços em todos,
Jorge Leão

A importância da mudança

Reconhecer que o processo de mudança é necessário e nos diz respeito, talvez seja um dos itens mais problemáticos para nós, seres humanos.Primeiro, não é fácil mudar hábitos e posturas arraigados ao longo de décadas de maus hábitos e pensamentos doentios.

O mesmo ocorre com a necessidade de reconhecer que nós mesmos cavamos grande parte de nossa ruína, sobretudo quando nos referimos à qualidade de vida.Devemos, por isso, assumir a consciência de que a mudança nos diz respeito, não podemos adiá-la. Assim, é responsabilidade do indivíduo assumir suas fraudes existenciais e ir em busca da renovação.

O presente nos diz que o tempo é condicionado pela consciência. Esquecer o passado deverá ser a primeira iniciativa consistente para desarmar a falta de disposição para assumir verdadeiramente a necessidade da mudança. Não importa os erros que cometemos, eles já foram cometidos. O que importa é viver novas experiências, e renovadas, claro.

Em relação à alimentação, por exemplo, que é um item básico para a saúde do corpo e da mente, a família deveria iniciar o propósito de bons hábitos alimentares desde a infância, quando a criança ainda não está contaminada pelas guloseimas das lanchonetes. Do mesmo modo a escola, que também deveria promover campanhas de conscientizaçã o e qualidade nutricional. O esforço para tudo de grandioso que existe na vida é conjunto. A equipe multidisciplinar é a chave para combater os ataques que o sistema da má alimentação promove cotidianamente. É necessário uma corrente integrada para a salvação de nossa vitalidade.Quando iniciar? A resposta única possível é: agora mesmo! O que está em jogo é a nossa permanência de maneira digna e saudável no mundo.

Outra grande aliada é a prática da meditação, integrada a uma correta respiração, e, claro, a alimentação à base de frutas, legumes e hortaliças, são fatores essenciais para limpar a mente, e assim renovar a satisfação pela vida, que é uma graça divina.Esta unidade e equilíbrio devem ser buscados a todo o momento, enquanto houver vida. No instante em que cada um tomar a sua decisão pela mudança, inevitavelmente um outro modelo de mundo será implantado. Então, o que estamos esperando para iniciar a mudança? É a nossa única salvação. Aceitemos isso, creiamos nisso!

Abraços quixotescos!

Jorge Leão

Em: 15 / 12 / 2008

domingo, 23 de novembro de 2008

A filosofia da boa alimentação na escola pitagórica

Um texto sobre a alimentação e o pensamento filosófico de Pitágoras, abraços,
Jorge Leão


A filosofia da boa alimentação na escola pitagórica

Em sua peregrinação terrestre, os seres humanos encontram-se diante do fato do sofrimento, da dor e da morte. Sabemos que problemas são inevitáveis, mas o princípio de tudo está na consciência da unidade cósmica com a Natureza.

Este é o cerne do pensamento integral proposto por Pitágoras, na fundação de sua escola, no século VI a.C. Para ele, o processo de auto-cura acontece por meio do retorno ao estado primordial de equilíbrio com as forças naturais. Para isso, é necessário realizar inicialmente atividades simples. Aprender a respirar, cultivar uma alimentação saudável e meditação diariamente. Essas ações constituem movimento integrativo com o Cosmos, por isso, segundo Pitágoras, antes de estudar coisas mais complexas, será necessário que os aprendentes da sabedoria (que, mais tarde, seriam conhecidos como "filósofos") realizem em si mesmos o ponto de equilíbrio entre corpo, mente e espírito.

Assim, pensar e alimentar-se é algo único, uma vez que o corpo, a mente e o espírito constituem um todo orgânico. A saúde é algo que envolve as três dimensões, não sendo possível pensá-la de forma justaposta, ou dualista, como se a cada hora do dia fosse reservada uma ocupação dissociada das outras.

Na escola pitagórica todos os ensinamentos devem constituir-se em um conjunto integrado de conhecimentos, ainda que, no início, seja difícil aceitar a idéia de que devamos mudar hábitos arraigados ao longo de anos e anos de desequilíbrio, maus hábitos, vícios e doenças.A prática da meditação compreende, com isso, mais um elemento fundamental para o bom cultivo dos alimentos e do pensamento.

Somente depois dessa compreensão, os discípulos estariam aptos a ingressar num segundo estágio, que corresponderia ao conhecimento intelectual da matemática e da música. Quando aprendemos a cultivar o corpo, como morada da sabedoria divina, torna-se mais assimilável o conteúdo de idéias que exigem grande poder de concentração e capacidade de abstração. Sem o cuidado inicial do corpo, jamais será possível mergulhar verdadeiramente na unidade da sabedoria.

Pitágoras pensou um lugar que fosse possível cultivar a terra. Para isso, a água fluindo era um elemento fundamental. No terreno onde foi construída sua escola havia um rio, para que todos pudessem banhar e beber da água corrente. A saúde, na escola pitagórica, começava nas primeiras horas do dia, antes mesmo do sol despontar no horizonte. A horta deveria ser cuidada por todas, pois eles comiam o que plantavam. A sua alimentação era à base de hortaliças, frutas e cereais.

Depois de três anos de iniciação, seguindo uma disciplina cotidiana, os discípulos responderiam se era de sua vontade permanecer e tornar-se um "pitagórico", ou regressar ao mundo de onde viera. Caso a resposta fosse positiva, o caminho da sabedoria seria aberto, para nunca mais ser abandonado. Agora, o terceiro passo estava iniciado, quando os estudos filosóficos começariam a ser ministrados.

A experiência iluminada de Pitágoras inspirou muitos mosteiros ao longo da história. A combinação perfeita entre alimentação, respiração e meditação corresponde ao ponto de equilíbrio de práticas milenares da Yoga. Não é por acaso que o próprio Platão será influenciado por muitas idéias cultivadas na escola pitagórica, levando ao Ocidente concepções da sabedoria milenar dos povos orientais, e permitindo aos amantes da sabedoria uma cosmovisão mais profunda e holística.

Por isso, pode-se reafirmar que a sabedoria é um caminho de aprendizado que visa o homem em sua totalidade. Toda a realização humana neste planeta depende desta cosmovisão.

Jorge Leão
Professor de Filosofia do CEFET-MA e membro do Movimento Familiar Cristão, em São Luís - MA.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Amor é Cego?

Caros amigos da filosofia e da arte, mais um comentário sobre uma outra obra fantástica de Charles Chaplin, "Luzes da Cidade", do ano de 1931. Belo filme, apresentando o amor por um ângulo de pureza e simplicidade, obra rara de ser apreciada hoje em dia. Abraços quixotescos, Jorge Leão...
O Amor é cego?

O filme “Luzes da Cidade” (1931), escrito e dirigido por Charles Chaplin, apresenta a temática do amor sob o prisma da vida de um Vagabundo, que, espontaneamente, encanta-se por uma vendedora de flores, que é cega, interpretada pela atriz Virginia Cherril.

A sátira aos convencionalismos sociais, tão típica na obra de Chaplin, é uma constante no filme. Logo na primeira cena, um monumento em praça pública é inaugurado, para exaltar a Paz e a Prosperidade. Todavia, a fala dos burocratas é confusa, de compreensão impossível. Ao aparecer as imagens das grandes estátuas, surge, para espanto de todos, o Vagabundo, dormindo no alto. A cena segue em ritmo de comédia e com protestos de todos, devido ao jeito irresponsável com que o Vagabundo ironiza o monumento.

Depois de ser ridicularizado pelos garotos que vendem jornal e se deparar com uma estátua de um corpo feminino nu, o Vagabundo sai de mansinho, quando vê que sai do subsolo um homenzarrão. Em seguida, o filme encaminha uma de suas cenas mais belas. O encontro entre o Vagabundo e a jovem vendedora de flores é marcante. Inicialmente, ele não sabe que ela é cega, só percebendo mais tarde, quando ela pergunta se ele tinha recolhido a flor caída no chão. Ao colocar a flor no bolso de seu paletó, ela pensa que ele é um homem rico que entra no carro e sai. Ao perceber o engano, o Vagabundo sai cautelosamente...

O outro encontro interessante no filme é entre o Vagabundo e um homem rico, embriagado, que, desiludido do casamento terminado, tenta se matar várias, sendo impedido pelo personagem de Chaplin. Sua palavra é enfática, para impedir o suicídio do bêbado: “Amanhã, os pássaros cantarão”, e ainda: “Seja corajoso, enfrente a vida!”. Eles vão para a casa do homem desiludido. Lá, o mordomo comunica que as bagagens de sua patroa foram levadas. Mais uma vez, o homem começa a beber e oferece álcool ao Vagabundo, os dois então se embebedam, numa cena muito engraçada. Eles saem para uma festa, para esquecer a triste desilusão...

Cedo pela manhã, voltam para casa. O homem rico diz para o Vagabundo que ele pode ficar com o seu carro. Entretanto, o mordomo não permite sua entrada na mansão. A menina cega passa com suas flores, e o homem rico solicita a presença do amigo em sua casa. “Compremos algumas flores”, sugere o Vagabundo ao amigo desiludido. Ao entregá-las ao mordomo, o Vagabundo sai com a menina cega para um passeio de carro, levando-a até sua casa. Ele beija a mão da menina e pergunta se pode visitá-la outras vezes. Ela diz que sim. Ao entrar em casa, a menina sente que está apaixonada.

Ao despertar, o homem rico acorda sóbrio, e estranha as flores em seu colo. Ele não quer ver ninguém. O Vagabundo entra, mas logo é expulso de casa pelo mordomo. Ele sai no carro e rouba o charuto de um transeunte. Voltando, o seu amigo não o reconhece mais; ele fica só com o seu charuto, andando solitário pelas ruas...

Na mesma tarde, o Vagabundo encontra-se novamente com o homem rico, que, outra vez bêbado, o chama de amigo, dizendo que vai dar uma festa em sua homenagem. No outro dia, depois de muita festa na mansão, o Vagabundo está deitado junto com o homem rico em sua cama. Este pergunta a seu mordomo quem é aquele indivíduo, e manda tirá-lo de sua casa. O Vagabundo quer, pelo menos, um pão para comer, mas é expulso...

Na rua, o Vagabundo não encontra a menina vendendo flores. Resolve ir a casa dela. Ela está com febre. Ele se entristece, e resolve trabalhar como limpador de ruas, para ajudá-la. O aluguel da casa está atrasado, a menina e sua avó recebem ordem de despejo. O Vagabundo descobre no jornal que há um médico que realiza uma cirurgia para curar a visão. Ao pegar um livro para ler à sua amada, o Vagabundo encontra a carta de despejo. Resolve então ajudar a pagar toda a dívida. Porém, é despedido de seu emprego. Tenta a vida como lutador, mas perde a luta. Volta então a perambular pelas ruas...

Lá, encontra o homem rico, bêbado outra vez, que o abraça, e o reconhece como amigo. Chegando a casa, o Vagabundo consegue a quantia necessária, ao pedi-la ao homem rico. Contudo, a casa está sendo assaltada. A polícia é chamada, os ladrões fogem. O Vagabundo, por sua aparência, é confundido com um ladrão. Ele ainda tenta convencer o policial que não foi ele quem roubou o dono da casa, mas não tem êxito e foge apressadamente.

Ao chegar à casa da menina, entrega-lhe o dinheiro, para pagar o aluguel e realizar a cirurgia. Ela se emociona com o gesto de nobreza do Vagabundo. “Como poderei agradecer-lhe?”. Ele apenas beija a mão da menina e vai embora. Ela senta e chora. Depois, o Vagabundo é reconhecido pela polícia e levado preso. Parece que sua sorte é mesmo amarga...

Quando chega o Outono, a menina está curada e tem agora a sua própria loja de flores, junto com a sua avó. O Vagabundo é solto, mas as suas roupas estão velhas. Ele é maltratado pelos garotos que vendem jornal na rua. Uma flor no chão é observada por ele. A esperança parece renascer. A loja de flores está em sua frente. Ele reconhece a dona da loja, é o seu amor...

Ele sorri para ela, que lhe oferece uma flor e uma moeda. Apenas a flor é aceita. A moeda é levada à mão do Vagabundo. Ela reconhece aquela mão. Os olhos do coração dela se abrem, reconhecendo que o seu amor voltou e está em sua frente. Ele pergunta se ela pode enxergar. “Sim, agora eu posso ver”. O amor dela vai além dos olhos físicos. O Vagabundo sorri para ela com a flor e as mãos dadas às da sua amada. O filme termina com uma pureza e beleza incomensuráveis.

O Vagabundo de Chaplin nos conduz à visão que desanuvia a miopia de nosso egoísmo e a estreiteza de nossa vaidade. O seu guia é o amor, desinteressado e incondicional. O mesmo amor, que enxerga longe e profundo, mesmo na escuridão de nossas tormentas. A nossa visão é, então, restituída. A visão do espírito. O amor não é cego, nós é que às vezes fechamos os olhos a ele.

Jorge Leão
Professor de Filosofia do CEFET-MA e membro do Movimento Familiar Cristão, em São Luís – MA.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Comentários dos estudantes sobre a obra "Apologia de Sócrates"


















Caros amigos da filosofia e da arte, compartilho alguns textos do último trabalho realizado pelos jovens filósofos, com a obra "Apologia de Sócrates", na turma 104, do curso Eletrotécnica. Mário e Willame, estudantes atuantes nas aulas, colaboraram muito neste trabalho.

Abraços quixotescos...
Jorge Leão.








APOLOGIA DE SÓCRATES

O texto Apologia de Sócrates escrito por Platão, trata da autodefesa de Sócrates, dos seus últimos momentos vivo, antes de sua condenação, mostra o seu último diálogo feito aos cidadãos atenienses e a todo o mundo. O mais impressionante é que ele tentava mostrar a verdade e revelar a sabedoria presente nos lugares mais improváveis, atacando seus acusadores que se julgavam “sábios”, mas que na verdade não eram e os que eram chamados de “ignorantes” eram, na verdade, os mais sábios de todos.

O texto fala bastante de várias emoções, virtudes, sobre as quais gira toda a defesa de Sócrates:

VERDADE = Talvez a principal idéia do texto, Sócrates prefere morrer contando a verdade a viver sabendo que os cidadãos atenienses continuavam vivendo num mundo de mentiras. Foi um dos mais fortes argumentos que ele usou contra seus acusadores.

SABEDORIA = Foi principal argumento usado por Sócrates em sua defesa. E se realmente tivessem feito justiça, Sócrates seria absolvido somente com o seu diálogo com Meleto sobre sabedoria, em que Sócrates tentava se defender das acusações feitas sobre ele.

DIÁLOGO = A vida toda de Sócrates girou em torno do diálogo. E seus últimos momentos de vida não poderiam ser diferentes, o livro “Apologia de Sócrates” escrito por Platão, conta o seu último diálogo com os cidadãos atenienses, em que ele pede para que os cidadãos não se preocupem com as suas próprias coisas, mas que possam buscar a sabedoria, a verdade e a honestidade: “Voltava-me, [...], procurando persuadir cada um de vós a não se preocupar demasiadamente com as suas próprias coisas, antes que de si mesmo, para se tornar quanto mais honesto e sábio possível; a não cuidar dos negócios da cidade antes que da própria cidade, e preocupar-se, desse modo, com outras coisas.” (Apologia de Sócrates, Platão, p. 82).

HIPOCRISIA = A hipocrisia sempre andou junto com a mentira, e Sócrates em seus últimos diálogos sempre exortou os cidadãos atenienses a distinguirem a verdadeira sabedoria da “sabedoria” hipócrita. Em sua defesa também procurou antes de tudo denunciar aqueles que se diziam “sábios”, mas que na verdade eram hipócritas.

Problemas apareceram nos mais diversos lugares e nas mais diversas formas. No texto, estes problemas podem ser divididos em três partes:

1) Fatos que eram problemas para Sócrates;
2) Fatos que eram problemas para os acusadores de Sócrates;
3) Fatos que eram problemas para o povo ateniense.

PROBLEMAS PARA SÓCRATES:

Sócrates encontrou um conjunto de problemas na sua tentativa de absolvição, entre eles:

HIPOCRISIA DOS ACUSADORES = Primeiro, a mentira dos acusadores em fazer acusações sem fundamento, levou à condenação de Sócrates. Segundo, a hipocrisia dos acusadores em persistir dizendo que eram os mais sábios que existiam, levou o povo a acreditar neles, o que também influenciou na condenação de Sócrates.

A RELUTÂNCIA DO POVO EM ACREDITAR = Com a hipocrisia dos acusadores, o povo acabou acreditando que Sócrates era quem estava errado e por isso consentiu na sua condenação. Mas para Sócrates isso era insignificante, o mais importante era que com isso alguns cidadãos deixaram de acreditar nele e fizeram, em alguns casos, coisas totalmente contrárias ao que Sócrates exortava-os a fazer.

O USO EXCESSIVO DA IRONIA = O método de Sócrates para ensinar seus discípulos era a ironia, para que eles procurassem e descobrissem tudo por si mesmos. Ele acabou usando o mesmo método em sua defesa, porém o que deveria ajudar acabou atrapalhando de certa forma já que o povo não sabia ou não conseguia distinguir quando Sócrates usava a ironia e quando não a usava.

O USO EXCESSIVO DA INTERROGAÇÃO = Também era um método de Sócrates para ensinar seus discípulos. Apesar de ter ajudado Sócrates a “desmascarar” Meleto, também atrapalhou, quando Sócrates usava a interrogação contra Meleto, o povo às vezes não sabia em quem acreditar naquele jogo de perguntas sobre perguntas sem chegar, em alguns casos, a uma resposta definitiva.

PROBLEMAS PARA OS ACUSADORES DE SÓCRATES:

SÓCRATES = Nitidamente Sócrates era um problema para os seus acusadores, pois Sócrates pregava a verdade e a sabedoria em toda a Atenas, principalmente naquela época, e ao fazer uma profunda pesquisa sobre a sabedoria das pessoas, constatou que os que ele pensava ser os sábios do povo, na verdade, não o eram. E começou a falar contra estes que se julgavam “sábios” e isto atacou muito Meleto, Anito e Lícon [seus acusadores], que procuraram logo condená-lo por suas “mentiras”.

A SABEDORIA PARA BUSCAR A VERDADE = Sócrates exortava os cidadãos a buscarem a verdade, porém, buscá-la com sabedoria, para não cair em armadilhas de hipócritas; o povo seguindo Sócrates e ouvindo seus diálogos, começou a despertar para a realidade e isso era prejudicial para os acusadores, que logo trataram de calar a voz daquele que incitava o povo, Sócrates.

OS DIÁLOGOS DE SÓCRATES COM OS CIDADÃOS ATENIENSES = Era nos diálogos que Sócrates tentava chamar o povo para a realidade e a única forma de acabar com este “terrível perigo” para os acusadores era calando o “líder”, Sócrates.

A CONDENAÇÃO = A própria condenação de Sócrates foi um problema para seus acusadores, já que, após a sua morte, o povo não “melhorou”, continuando a seguir o que Sócrates falava, rapidamente percebeu a injustiça que tinham praticado e para “consertar” o erro, puniu os acusadores de Sócrates: Meleto foi condenado à morte; Anito foi exilado em Heracléia, onde foi apedrejado pelo povo e Lícon suicidou-se de desespero, relegado por todos.

PROBLEMAS PARA O POVO ATENIENSE:

O USO EXCESSIVO DA INTERROGAÇÃO = A interrogação foi, talvez, um dos maiores problemas para o povo. Enquanto uma pergunta mostrava que Sócrates era quem estava errado, outra mostrava totalmente o contrário e Meleto era quem “se ferrava”. Outro problema relacionado à constante interrogação era o fato de que algumas perguntas não eram respondidas por inteiro deixando, assim, um vazio que prejudicava no julgamento do povo que ficava perdido em saber quem estava certo.

O USO EXCESSIVO DA IRONIA = A ironia também foi um dos problemas, já que a ironia, às vezes, atrapalha no entendimento de um diálogo. Quem ironiza muito, pode cair na armadilha de não ser entendido como gostaria por seus interlocutores.

OS SERMÕES DE SÓCRATES = Os sermões de Sócrates eram cansativos para os cidadãos, mesmo que fossem verdadeiros, eram como cargas pesadíssimas que alguns não conseguiam carregar ou não estavam dispostos para tal feito, pois os sermões colocavam em xeque a posição dos cidadãos em relação ao mundo. Sócrates mesmo afirmou: “Ah! Eu teria verdadeiramente um amor excessivo à vida se fosse irrefletido a ponto de não ser capaz de pensar nisto: vós que sois meus concidadãos acabastes por não achar meios de suportar meus sermões; estes se tornaram para vós um fardo bastante pesado e detestável para que procureis hoje se livrar-vos dele [...].” (Apologia de Sócrates, Platão, p. 83).

A EXECUÇÃO DE SÓCRATES = Foi um dos piores problemas para o povo, talvez o pior, porque todos os outros acima citados levaram a este e o pior é que não tinha como desfazer o mal causado por este. A condenação e execução de Sócrates foi uma grande injustiça e ao se darem conta do engano, os atenienses procuraram corrigir o erro com a condenação dos acusadores de Sócrates, mas que mesmo assim o sentimento de culpa, com certeza, foi pior do que qualquer outra coisa que poderia ter acontecido aos atenienses. A vingança destacada por Sócrates não é proveniente do deus, mas sim dos próprios cidadãos, deste sentimento de culpa: “Digo-vos, de fato, ó cidadãos que me condenastes, que logo depois de minha morte vos virá uma vingança muito mais severa, por Zeus, do que aquela pela qual tendes me sacrificado. Fizestes isso acreditando livrar-vos ao aborrecimento de terdes de dar conta da vossa vida, mas eu vos asseguro que tudo sairá ao contrário.” (Apologia de Sócrates, Platão, p. 87).


VERDADE E SABEDORIA: DEFESA E CONDENAÇÃO DE SÓCRATES

Em Apologia de Sócrates, Platão mostra os últimos momentos de Sócrates vivo, mostra a sua autodefesa, porém sem esquecer da admirável serenidade do filósofo preocupado somente com a verdade e com o destino dos seus acusadores, demonstrando a esplêndida sabedoria de Sócrates durante todo o texto.

Sócrates demonstrava mais atenção ao destino de seus acusadores, à busca da sabedoria e da verdade do que à sua própria defesa. Ele dizia que tinha recebido uma ordem de um deus para cumprir a missão de revelar ao mundo a verdade e mostrar quem realmente era sábio e quem somente o julgava ser. Seus acusadores, porém, queriam atrapalhar seu caminho e por isso seriam seriamente castigados pelo deus, daí a grande preocupação de Sócrates para com seus acusadores, mais até do que com seu próprio destino: “[...] Contudo, por que será que alguns gostam de passar muito tempo em minha companhia? [...] é porque tomam gosto em ouvir, analisar aqueles que acreditam ser sábios e não o são; não é de fato coisa desagradável. E, como disse, foi um deus que me ordenou fazê-lo, com oráculos, com sonhos, e com outros meios, pelos quais algumas vezes a divina vontade ordena a um homem que faça o que quer que seja.” (Apologia de Sócrates, Platão, p. 77).

Para reforçar o que foi citado acima, Sócrates fala em seus diálogos com o povo ateniense, que sem ter feito injustiça alguma, está tranqüilo e por isso não teme a pena que Meleto poderá aplicar. E mais, Sócrates prefere viver falando, fazendo seus discursos “chatos” do que ver o povo ateniense sendo enganado, ver os atenienses de braços cruzados: “[...] Estando, portanto, convencido de não ter feito injustiça a ninguém, estou bem longe de fazê-la a mim mesmo e dizer, em meu dano, que mereço um mal; e me propor a tal sorte. Que devo temer? É possível que eu não tenha de sofrer a pena que me assinala Meleto e que eu digo ignorar ser um bem ou um mal? [...] Bela vida, em verdade, seria a minha, nesta idade, viver fora da pátria, passando de cidade a outra, expulso em degredo. Sei que, por onde for os jovens ouvirão os meus discursos.” (Apologia de Sócrates, Platão, p. 83).

A atitude de Sócrates foi um tanto corajosa e também um tanto ridícula e fantasiosa, se tomarmos como referência nossos dias atuais, quero dizer, Sócrates foi bastante corajoso em doar sua vida em prol do bem-estar dos cidadãos atenienses, sim, ele morreu denunciando os problemas que rondavam os atenienses, não conseguiu convencer a todos, porém, uma grande maioria despertou para a realidade do mundo e alguns até lutaram, culminando na morte dos acusadores do poeta do ser. Pena que essa “luta” durou pouco, hoje quem é que se lembra ou mesmo sabe da ousadia de Sócrates? No mundo de hoje, cego pelo capitalismo, morrer por alguém é loucura, não chega nem a ser coragem. Será que valeu a pena Sócrates morrer? Quantos Sócrates estão morrendo e sendo calados pelo mundo afora?
Quantos ainda precisarão morrer para o mundo se dar conta do que está acontecendo à sua volta?

MÁRIO ANDERSON VIEIRA ROLIM, Estudante da TURMA 104 – do Curso de ELETROTÉCNICA, do CEFET-MA


O mundo precisa de Filosofia?

Tanto o mundo precisa de filosofia quanto a filosofia precisa do mundo. O mundo sem filosofia seria um mundo que não questionaria suas decisões, não tomaria atitudes mais corretas freqüentemente, não conseguiria muitas vezes argumentar sobre algo, convencendo pelas idéias e não por pressão, não conseguiria exercer verdadeiramente sua cidadania, entre muitas outras coisas. O mundo com a filosofia anda melhor, pois existirá a partir de agora pessoas que vão saber realmente quem são, por que são assim, farão novas descobertas a partir de questionamento, farão decisões melhores, poderão conscientemente argumentar sobre algo ou alguém, entre muitos outros feitos.

A filosofia também precisa do mundo, pois sem o mundo a filosofia não teria o que questionar e pôr à prova. Quando o mundo “entra na história”, começa a existir a relação entre sujeito e objeto (sujeito que vai buscar e objeto que vai ser estudado, buscado), algo primordial e essencial na filosofia. Assim o sujeito vai ter o que questionar, e tendo o que questionar, surge a filosofia para ajudá-lo no seu questionamento, na sua busca. Assim, sempre há um ciclo entre mundo e filosofia, dois arquétipos que estão sempre interligados (um sempre precisa do outro).

WILAME MOREIRA COSTA JÚNIOR, Estudante da TURMA 104, do Curso de ELETROTÉCNICA, do CEFET-MA.