Compartilho com os amigos de nosso blog a bela contribuição de nossa amiga e sempre atuante Dayanna, apaixonada pela Filosofia e pela Música, além de ter uma bela voz. Obrigada, "Lady Day" por abrilhantar o nosso blog, de um projeto que você conhece tão bem...
Com vocês, uma proposta dinâmica de música nas aulas de Filosofia.
Beijo no fígado de todos...
Jorge Leão
Aula de filosofia e música: como uma forma de repensar o sentido da vida.
Quando o objetivo da aula de filosofia é ser um meio de problematizar e criar conceitos sobre realidade, a disciplina é de modo diferente pelos alunos. Assim, filosofar não é repetir frases reflexivas dos grandes filósofos, mas pensar como levar esses conceitos para a vida prática. Diferente do estudo enciclopédico da Filosofia feito no Ensino Médio, ela pode sim ser mais que uma simples disciplina que preenche o currículo escolar, dependendo da metodologia usada pelo professor-filosófo nas aulas. Neste contexto a experiência artística torna-se um perfeito recurso.
Pensando na realização do ser humano, a Filosofia surge como uma saída contra os problemas da alma humana. Uma oportunidade para isso é trabalhando com os alunos sobre O sentido da vida. Que pessoa eu quero ser? Quais valores seguirei? Ou ainda, a que darei prioridade na vida? Podem ser algumas indagações. E tendo problematizado o tema, o ser humano dá inicio a busca das respostas. Aqui entra a dinâmica do uso da Arte. A música é uma sugestão envolvente. Afinal, quem não gosta de música? A seguir, a análise de uma música que pode ser trabalhada na aula de Filosofia, quando o tema é o sentido da vida.
Música: Esquadros - Adriana Calcanhoto
Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome. Cores de Almodóvar, cores de Frida Khalo, cores. Passeio pelo escuro, eu presto muita atenção no que meu irmão ouve. E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora. Eu quero chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus. Eu ando pelo mundo divertindo gente chorando ao telefone, e vendo bater a fome nos meninos que tem fome.
Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela janela. Quem é ela, quem é ela? Eu vejo tudo em quadrado, remoto controle.
Eu ando pelo mundo e os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dos lados, de um lado, eu gosto de opostos, exponho meu modo, me mostro, eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos cadê, minha alegria, meu cansaço. Meu amor cadê você, eu acordei, não tem ninguém ao lado.
A letra da música é muito rica e cheia de significados. A proposta é tentar identificar o que está por trás de cada expressão.
Logo no início a expressão eu ando pelo mundo, nos convida a refletir o que viemos fazer no mundo. Seria só uma passagem (eu ando), ou teríamos outra missão? Cada um pode pensar nas atividades que realiza. Estudar só para garantir uma vaga na universidade, seguir qualquer profissão que dê muito dinheiro ou entender o amor apenas como obtenção de prazer. Em quase tudo vemos interesses que fazem do sentido da vida um andar descomprometido, “que não se sabe o nome” ou que “se passeia pelo escuro”.
O refrão reporta a vida sem preocupação com o social. Preferimos olhar “os meninos que têm fome”, ou seja, todos os que sofrem “pelas janelas”. Que janelas são essas? Criamos várias. A janela da individualidade porque preferimos nos fecharmos em nossos problemas ou a janela do medo porque fechamos o vidro do carro amedrontados com as outras realidades.
A vida pragmática exige que tudo seja rápido e solucionado apenas apertando um botão de um “remoto controle”. A correria do dia nos leva pro lado oposto ao caminho de felicidade das brincadeiras “das crianças”. È preciso reservar tempo para se viver o melhor da vida e é preciso aproveitar o nosso tempo que é fugaz e imprevisível. Sem isso torna a vida sem sentido, “eu canto para quem?”.
“E meus amigos cadê?” Também, viver só é ter uma vida sem sentido. É preciso saber dar importância às trocas de experiências com quem está do nosso lado. Alunos de Filosofia devem aprender no Ensino Médio que precisam se formar para ser cidadãos responsáveis pelo lugar que vivem.
Dayanna Gomes Santos
Ex-aluna do 3 ano médio do CEFET-MA, em 2007, bolsista durante dois anos no CEFET-MA do Programa de Iniciação Científica Júnior, orientada pelo Professor Fábio Sales, e colaboradora do projeto de pesquisa "Filosofia com Arte no Ensino Médio", atualmente estudante de Psicologia da UFMA.
domingo, 31 de agosto de 2008
Asas da Liberdade
Mais um texto excelente do Alexsandro, da turma 205, de Design Gráfico, que trago para o nosso blog,
atenciosamente,
jorge leão
Asas da Liberdade
O sonho. O sonho de Ícaro é um sonho de liberdade.Ele quebra a barreira de separação entre ele, homem ainda incompleto, insatisfeito consigo mesmo, e ele, homem pleno, completo e harmônico, pois o sonho dele, o desejo dele, de voar e ser livre o faria pleno.
O sonho de Ícaro representa tudo aquilo que nós hoje queremos ser e não somos, por medo de criar asas e dar de encontro com o sol, que é o chão da realidade, que nos trava, nos aprisiona e nos torna loucos e utópicos.
É preciso ressaltar que tanto o sonho como "expulsão'' do inconsciente, como o sonho como desejo de materialização de algo ainda inconsistente mas não utópico de certa forma são um canal de expulsão dos nossos desejos, anseios e vontades.
O sonho. O sonho de Ícaro é um sonho puro, limpo, pois ele não se torna algo produzível mecânica e friamente. Agora, o sonho como algo distante mas visível, nos dias de hoje é como um produto que pode ser conseguido a custo de dinheiro. Um antagonismo que se pode perceber claramente nos dias de hoje é justamente o do sonho como algo imensamente frio e conquistável através de dinheiro, em vez de ser algo limpo e destituído de preço.E isso no texto é representado pelos garotos que iam de encontro a Ícaro, pois são presos ao chão, à simples realidade.
Concluindo, gostaria de dizer que sou contra esse apreçamento excessivo do sonho. O sonho é imaginação. É por isso que slogans como "Asas da liberdade'', da Honda, não me pegam. Sonhar é de graças tem mais graça...
Alexsandro Oliveira Cunha
atenciosamente,
jorge leão
Asas da Liberdade
O sonho. O sonho de Ícaro é um sonho de liberdade.Ele quebra a barreira de separação entre ele, homem ainda incompleto, insatisfeito consigo mesmo, e ele, homem pleno, completo e harmônico, pois o sonho dele, o desejo dele, de voar e ser livre o faria pleno.
O sonho de Ícaro representa tudo aquilo que nós hoje queremos ser e não somos, por medo de criar asas e dar de encontro com o sol, que é o chão da realidade, que nos trava, nos aprisiona e nos torna loucos e utópicos.
É preciso ressaltar que tanto o sonho como "expulsão'' do inconsciente, como o sonho como desejo de materialização de algo ainda inconsistente mas não utópico de certa forma são um canal de expulsão dos nossos desejos, anseios e vontades.
O sonho. O sonho de Ícaro é um sonho puro, limpo, pois ele não se torna algo produzível mecânica e friamente. Agora, o sonho como algo distante mas visível, nos dias de hoje é como um produto que pode ser conseguido a custo de dinheiro. Um antagonismo que se pode perceber claramente nos dias de hoje é justamente o do sonho como algo imensamente frio e conquistável através de dinheiro, em vez de ser algo limpo e destituído de preço.E isso no texto é representado pelos garotos que iam de encontro a Ícaro, pois são presos ao chão, à simples realidade.
Concluindo, gostaria de dizer que sou contra esse apreçamento excessivo do sonho. O sonho é imaginação. É por isso que slogans como "Asas da liberdade'', da Honda, não me pegam. Sonhar é de graças tem mais graça...
Alexsandro Oliveira Cunha
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Comentário sobre o filme "O Grande Ditador", de Charles Chaplin
Olá, caros amantes da Filosofia e da Arte. Apresento aqui uma reflexão sobre um filme especial, "O Grande Ditador" (1940), do Chaplin, e algumas propostas de atividades nas aulas de filosofia, sobre ética e política. Então, vejamos uma cena marcante do filme e algumas análises mais gerais sobre o mesmo.
Bem, como é sabido por muita gente, esta é uma cena que entrou para a história do cinema, quando o genial Charles Chaplin constrói uma sátira sobre o nazi-facismo, que dominava a Europa, desde meados da década de 1930. É importante o registro de que o filme foi lançado em 15 de outubro de 1940 e foi o primeiro filme falado de Chaplin.
O ator inglês representa dois personagens, o barbeiro judeu, que no início combate na 1ª Grande Guerra, como cadete da nação "Tomânia", tentando salvar um soldado chamado Schultz, que mais tarde se torna oficial do exército do imperador Hynkel (a crítica aqui é direcionada a Hitler), e que constitui o outro personagem de Chaplin.
Obcecado pelo poder, Hynkel quer dominar o globo, espalhando seu desejo de domínio a todos os povos. Ele se julga controlador do destino das nações, daí a idéia de segurar o mundo com as mãos, como se vê na cena. Aqui, podemos refletir sobre o totalitarismo na política, e citar a filósofa judia Hannah Arendt (1906 - 1975), que pode mediar esse interessante debate com a turma. Como se vê no pensamento da filósofa, a importância da ação política e a valorização do espaço público são dois elementos que se contrapõem às experiências totalitárias, e que podem servir aqui de contraponto para esta cena do filme, pois na Alemanha dos anos 30, "havia a impossibilidade de viver a Política, e o cidadão estava privado do diálogo com seus pares" (Revista: Discutindo Filosofia, Ano 2, n.7, pp.34-35).
Um outro momento interessante para o trabalho em sala de aula, é fazer a análise dos dois discursos, o inicial, que comicamente ilustra a insanidade do "Ditador", e toda a descarga de preconceito e totalitarismo que o alimenta, e, no segundo, na cena final do filme, em que o barbeiro judeu é obrigado a falar, pois é confundido com o próprio Hynkel. Neste emblemático discurso, que vai sendo construído numa escalada emocional crescente por parte de uma brilhante interpretação de Chaplin, é possível apresentar vários aspectos interessantes, como a influência da doutrina da não-violência, propugnada pelo líder hindu Mahatma Gandhi (1869 - 1948), quando ouvimos da boca do pseudo-imperador: "a terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades", além da defesa dos direitos humanos ("o caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos"), e de uma crítica severa à civilização moderna da técnica e do progresso, fatores que subjugaram o ser humano ao domínio das máquinas ("a máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria"). O debate pode também ser complementado pelo professor com tópicos da política e da história do século XX, contexto marcado por duas grandes guerras mundiais, de caráter eminentemente irracional e totalitário, sobretudo na segunda, com a fatídica experiência dos campos de extermínio nazista.
Aqui, é oportuna a participação dos professores de História, Geopolítica e Sociologia, para uma interessante reflexão interdisciplinar com a turma ( alguns temas interessantes podem ser propostos por estes professores, tais como: o contexto histórico das Guerras Mundiais, suas motivações e implicações, a configuração do mapa europeu neste contexto, o envolvimento de nações de outros continentes, o impacto social, político, econômico e cultural das guerras sobre as nações envolvidas e outros).
Outra sugestão é contrapor a estratégia totalitária, fundada na cobiça e no ódio, ao elemento ético do respeito à diversidade e à prática do amor, como contrapropostas a esta infeliz experiência histórica. Se o debate permitir, os alunos poderão relatar experiências históricas que levaram o projeto de uma humandidade justa e feliz ao fracasso, assim como relatos de fatos ou biografias (pode ser um tema de pesquisa para futuras aulas e debates motivado pelo professor) que impulsionaram o ser humano para novos horizontes, novas utopias, como o próprio discurso de Chaplin, ao final do filme. Vale ficar com as últimas palavras do histórico discurso, quando ele evoca o amor a Hannah, mesmo ela ausente:
"Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!".
Aqui, o professor de filosofia pode finalizar o encontro enfatizando aos alunos uma nova percepção da palavra "esperança", pautada numa ética solidária e universal, movida por uma ação política consciente e transformadora, onde os seres humanos estejam em equilíbrio com os seus semelhantes, com a natureza, consigo próprios e com os seus princípios valorativos...
Até o próximo bate-papo sobre filosofia e cinema, nas conversas de nosso blog...
Abraços quixotescos!
Jorge Leão
Bem, como é sabido por muita gente, esta é uma cena que entrou para a história do cinema, quando o genial Charles Chaplin constrói uma sátira sobre o nazi-facismo, que dominava a Europa, desde meados da década de 1930. É importante o registro de que o filme foi lançado em 15 de outubro de 1940 e foi o primeiro filme falado de Chaplin.O ator inglês representa dois personagens, o barbeiro judeu, que no início combate na 1ª Grande Guerra, como cadete da nação "Tomânia", tentando salvar um soldado chamado Schultz, que mais tarde se torna oficial do exército do imperador Hynkel (a crítica aqui é direcionada a Hitler), e que constitui o outro personagem de Chaplin.
Obcecado pelo poder, Hynkel quer dominar o globo, espalhando seu desejo de domínio a todos os povos. Ele se julga controlador do destino das nações, daí a idéia de segurar o mundo com as mãos, como se vê na cena. Aqui, podemos refletir sobre o totalitarismo na política, e citar a filósofa judia Hannah Arendt (1906 - 1975), que pode mediar esse interessante debate com a turma. Como se vê no pensamento da filósofa, a importância da ação política e a valorização do espaço público são dois elementos que se contrapõem às experiências totalitárias, e que podem servir aqui de contraponto para esta cena do filme, pois na Alemanha dos anos 30, "havia a impossibilidade de viver a Política, e o cidadão estava privado do diálogo com seus pares" (Revista: Discutindo Filosofia, Ano 2, n.7, pp.34-35).
Um outro momento interessante para o trabalho em sala de aula, é fazer a análise dos dois discursos, o inicial, que comicamente ilustra a insanidade do "Ditador", e toda a descarga de preconceito e totalitarismo que o alimenta, e, no segundo, na cena final do filme, em que o barbeiro judeu é obrigado a falar, pois é confundido com o próprio Hynkel. Neste emblemático discurso, que vai sendo construído numa escalada emocional crescente por parte de uma brilhante interpretação de Chaplin, é possível apresentar vários aspectos interessantes, como a influência da doutrina da não-violência, propugnada pelo líder hindu Mahatma Gandhi (1869 - 1948), quando ouvimos da boca do pseudo-imperador: "a terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades", além da defesa dos direitos humanos ("o caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos"), e de uma crítica severa à civilização moderna da técnica e do progresso, fatores que subjugaram o ser humano ao domínio das máquinas ("a máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria"). O debate pode também ser complementado pelo professor com tópicos da política e da história do século XX, contexto marcado por duas grandes guerras mundiais, de caráter eminentemente irracional e totalitário, sobretudo na segunda, com a fatídica experiência dos campos de extermínio nazista.
Aqui, é oportuna a participação dos professores de História, Geopolítica e Sociologia, para uma interessante reflexão interdisciplinar com a turma ( alguns temas interessantes podem ser propostos por estes professores, tais como: o contexto histórico das Guerras Mundiais, suas motivações e implicações, a configuração do mapa europeu neste contexto, o envolvimento de nações de outros continentes, o impacto social, político, econômico e cultural das guerras sobre as nações envolvidas e outros).
Outra sugestão é contrapor a estratégia totalitária, fundada na cobiça e no ódio, ao elemento ético do respeito à diversidade e à prática do amor, como contrapropostas a esta infeliz experiência histórica. Se o debate permitir, os alunos poderão relatar experiências históricas que levaram o projeto de uma humandidade justa e feliz ao fracasso, assim como relatos de fatos ou biografias (pode ser um tema de pesquisa para futuras aulas e debates motivado pelo professor) que impulsionaram o ser humano para novos horizontes, novas utopias, como o próprio discurso de Chaplin, ao final do filme. Vale ficar com as últimas palavras do histórico discurso, quando ele evoca o amor a Hannah, mesmo ela ausente:
"Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!".
Aqui, o professor de filosofia pode finalizar o encontro enfatizando aos alunos uma nova percepção da palavra "esperança", pautada numa ética solidária e universal, movida por uma ação política consciente e transformadora, onde os seres humanos estejam em equilíbrio com os seus semelhantes, com a natureza, consigo próprios e com os seus princípios valorativos...
Até o próximo bate-papo sobre filosofia e cinema, nas conversas de nosso blog...
Abraços quixotescos!
Jorge Leão
Sócrates na Praça
Mais um texto de uma jovem filósofa da turma 204, Juliana, sobre o que aconteceria a Sócrates, ao se deparar com o cenário contemporâneo em que vivemos. Obrigado Juliana, pela valiosa contribuição!
Abraços em todos os amigos e amigas da sabedoria.
Jorge Leão
Ao fim dos discursos, como num passe de mágica, voltaria uma dupla séria falando para a família que retornava à sala de mais um caso de corrupção e impunidade, e todos cansados disso, fariam cara de desdém ou exclamassem um “de novo”, seguido de algumas palavras de baixo calão. E confuso, talvez ele decidisse meditar em um lugar, em um tempo mais calmo. E Sócrates não mais ficaria feliz.
Juliana Galeno T - 204
Abraços em todos os amigos e amigas da sabedoria.
Jorge Leão
Sócrates na praça
O que Sócrates pensaria se pudesse viver os dias de hoje? Se fosse possível que Sócrates passeasse por uma grande cidade nos tempos atuais, veria ele pessoas apressadas, literalmente correndo a seu trabalho. Notaria a diferença, forte diferença, do uso de uma praça. Em seu tempo, ali se discutiam os problemas da pólis, ali eram tomadas todas as decisões referentes ao grupo “pólis”. Em nosso tempo, quando muito, a praça serve de lugar de encontro de amigos ou casais apaixonados.
Se alguém o chamasse para sua casa, notaria a falta de escravos. Veria o anfitrião ou um empregado pago fazendo seus agrados. Isso se pudesse entrar. Em nosso tempo, estranhos devem ficar bem distantes, nunca se sabe em quem confiar.
Ao entrar em uma biblioteca, veria muitos escritos, muito velhos e se impressionaria da vastidão de ensinamentos quase nunca observada pelas pessoas do nosso tempo. Se pudesse caminhar no centro comercial, veria pessoas falando com aparelhinhos colados aos ouvidos, como se dentro deles houvesse alguém escutando. Ouviria sons de carroças mecânicas, se movendo, incrivelmente, sem o uso de nenhum animal. Pessoas falando em cones emitindo um som demasiadamente alto, incompatível com a voz humana. Tudo se tivesse tempo, pois logo seria arrastado por uma multidão, que vai e vem em marcha acelerada.
Andando um pouco mais, veria casa onde se fazem leis e casa onde se fazem cumprir. Veria pessoas entrando e saindo dessas casas com ares de importância em carroças mecânicas das mesmas das que vira, sem deixar de observar que estas novas eram estranhamente mais atraentes. Claro que dependeria um pouco da sorte, eles teriam que ir a essas casas.
E se Sócrates pudesse entrar em uma de nossas escolas!? Aulas maçantes, assuntos estressantes e alunos que de qualquer forma tentam decorar o assunto que lhes será cobrado, sem saber sequer qual finalidade prática em suas vidas terá uma tabelas periódica ou a fórmula de Bhaskara. Alunos que depois de 12, 13, 14, 15 anos “estudando” terão seus destinos escritos por uma prova, segundo a qual a diferença entre ser bem sucedido e estar condenado ao fracasso total reside unicamente em marcar um “xis” no lugar certo. Veria que muitos jovens vão se perdendo em meio ao medo de “não conseguir dinheiro para comprar sem se vender”...
E ao assistir uma aula de filosofia, não veria nada mais do que alunos que aparentam não entender nada e uma leva de professores – salvo raras exceções - que não compreendem o porquê deles não entenderem. Não seria então o que eles também não entendem?
Nas ruas olharia para o alto, atraído por um barulho estranho. Veria um pássaro grande, muito grande, que voa sem bater asas, antes de tropeçar em um corpo no chão de alguém que, embora não pareça, está muito vivo para implorar por ajuda, uma intervenção divina. E se perguntaria, talvez, por que ninguém o socorre. Teria logo ali a resposta: porque ninguém o vê.
A noite cairia e ele não mais veria a multidão de horas antes. Estariam cansados da correria do dia. Veria estrelas brilhantes pregadas em montanhas que não eram de terra. Eram de algo duro, cinza e agora frio. Letras que não conhecia e pessoas magicamente ampliadas nessas estrelas, paradas em eterna pose, eterno sorriso.
Andando pelas ruas, com sorte achasse uma janela entreaberta para ventilar um pouco a sala de uma família que descansa, e para dentro olharia. Sóis pequeninos colados no teto fazendo da noite de fora o dia ali dentro. Uma caixa estranha cheia de fios ao longe que mantinha quase hipnotizado um jovem sentado a sua frente chamaria a atenção. Ouviria barulhos em uma caixa que emite som, veria pessoas seminuas ou se rindo como atores de comédia em outra que além de som traz imagens também. E talvez se perguntasse como cabe alguém ali dentro. Ou por que alguém perderia tempo com gracinhas tão escachadas. Até que chega o horário político e todos se retiram da sala. Dentro da caixa agora estavam pessoas que falavam a ele, tentando persuadi-lo a votar e “votar certo”, enumerando prováveis melhorias se fossem eleitos. E ficaria feliz: república.
Se alguém o chamasse para sua casa, notaria a falta de escravos. Veria o anfitrião ou um empregado pago fazendo seus agrados. Isso se pudesse entrar. Em nosso tempo, estranhos devem ficar bem distantes, nunca se sabe em quem confiar.
Ao entrar em uma biblioteca, veria muitos escritos, muito velhos e se impressionaria da vastidão de ensinamentos quase nunca observada pelas pessoas do nosso tempo. Se pudesse caminhar no centro comercial, veria pessoas falando com aparelhinhos colados aos ouvidos, como se dentro deles houvesse alguém escutando. Ouviria sons de carroças mecânicas, se movendo, incrivelmente, sem o uso de nenhum animal. Pessoas falando em cones emitindo um som demasiadamente alto, incompatível com a voz humana. Tudo se tivesse tempo, pois logo seria arrastado por uma multidão, que vai e vem em marcha acelerada.
Andando um pouco mais, veria casa onde se fazem leis e casa onde se fazem cumprir. Veria pessoas entrando e saindo dessas casas com ares de importância em carroças mecânicas das mesmas das que vira, sem deixar de observar que estas novas eram estranhamente mais atraentes. Claro que dependeria um pouco da sorte, eles teriam que ir a essas casas.
E se Sócrates pudesse entrar em uma de nossas escolas!? Aulas maçantes, assuntos estressantes e alunos que de qualquer forma tentam decorar o assunto que lhes será cobrado, sem saber sequer qual finalidade prática em suas vidas terá uma tabelas periódica ou a fórmula de Bhaskara. Alunos que depois de 12, 13, 14, 15 anos “estudando” terão seus destinos escritos por uma prova, segundo a qual a diferença entre ser bem sucedido e estar condenado ao fracasso total reside unicamente em marcar um “xis” no lugar certo. Veria que muitos jovens vão se perdendo em meio ao medo de “não conseguir dinheiro para comprar sem se vender”...
E ao assistir uma aula de filosofia, não veria nada mais do que alunos que aparentam não entender nada e uma leva de professores – salvo raras exceções - que não compreendem o porquê deles não entenderem. Não seria então o que eles também não entendem?
Nas ruas olharia para o alto, atraído por um barulho estranho. Veria um pássaro grande, muito grande, que voa sem bater asas, antes de tropeçar em um corpo no chão de alguém que, embora não pareça, está muito vivo para implorar por ajuda, uma intervenção divina. E se perguntaria, talvez, por que ninguém o socorre. Teria logo ali a resposta: porque ninguém o vê.
A noite cairia e ele não mais veria a multidão de horas antes. Estariam cansados da correria do dia. Veria estrelas brilhantes pregadas em montanhas que não eram de terra. Eram de algo duro, cinza e agora frio. Letras que não conhecia e pessoas magicamente ampliadas nessas estrelas, paradas em eterna pose, eterno sorriso.
Andando pelas ruas, com sorte achasse uma janela entreaberta para ventilar um pouco a sala de uma família que descansa, e para dentro olharia. Sóis pequeninos colados no teto fazendo da noite de fora o dia ali dentro. Uma caixa estranha cheia de fios ao longe que mantinha quase hipnotizado um jovem sentado a sua frente chamaria a atenção. Ouviria barulhos em uma caixa que emite som, veria pessoas seminuas ou se rindo como atores de comédia em outra que além de som traz imagens também. E talvez se perguntasse como cabe alguém ali dentro. Ou por que alguém perderia tempo com gracinhas tão escachadas. Até que chega o horário político e todos se retiram da sala. Dentro da caixa agora estavam pessoas que falavam a ele, tentando persuadi-lo a votar e “votar certo”, enumerando prováveis melhorias se fossem eleitos. E ficaria feliz: república.
Ao fim dos discursos, como num passe de mágica, voltaria uma dupla séria falando para a família que retornava à sala de mais um caso de corrupção e impunidade, e todos cansados disso, fariam cara de desdém ou exclamassem um “de novo”, seguido de algumas palavras de baixo calão. E confuso, talvez ele decidisse meditar em um lugar, em um tempo mais calmo. E Sócrates não mais ficaria feliz.
Juliana Galeno T - 204
terça-feira, 22 de julho de 2008
Sócrates na Praça Deodoro
Caros amigos e amigas de nosso blog,
há mais ou menos quatro anos escrevi um texto para minhas aulas sobre o papel da filosofia no mundo, tendo como ponto de referência a figura de Sócrates; a idéia na época foi a de problematizar o pensamento socrático tendo como cenário a Praça Deodoro, em São Luís, e a minha inquietação era, entre outras coisas, saber o que Sócrates nos diria, ao ver este cenário contemporâneo?... Seria fantástico viajar no tempo, e tê-lo conosco para um diálogo daqueles, que podemos ler nas obras de seu mais ilustre discípulo (Platão). Daí, partindo dessa situação hipotética, lancei o mesmo desafio aos alunos, e até hoje continuo lançando...
Este texto é bem recente, da Anne Rabelo, nossa colega amiga da turma fantástica 204, de Design de Produto; o título, como podem observar, foi mantido por ela.
Abraços em todos! E obrigado, Anne pelo belo texto!!!
Até breve!
Jorge Leão
SÓCRATES NA PRAÇA DEODORO
Mais um daqueles dias, em que estava atrasada para chegar ao trabalho no horário, tentava correr entre aquela multidão que passava assim como eu, atrasada, na Praça Deodoro. Então, sem um porquê lógico a princípio, eu parei subitamente em meio àquelas pessoas, e me perguntei:
- Por que correr daquele jeito? Por que passar correndo em lugares que merecem muito mais serem admirados do que pisados na correria do dia-a-dia?
Sentei-me em um banco e esquecendo-me do horário, do atraso e de tudo mais que pudesse tirar minha concentração, tentava achar respostas para as perguntas tão confusas ao meu pensamento. Lembrei-me de um certo filósofo grego que ouvi falar durante toda a minha vida, mas que descobri quem realmente era e o que fazia, quando cursei a 5ª série, chamava-se Sócrates, era um gênio e apesar de toda sua inteligência e astúcia para desenvolver teorias até hoje aceitas por muitos, não se considerava com tal estima.
Imaginei o que Sócrates pensaria dessa nova utilização da praça, levando em consideração que a praça em sua época, quer dizer a “àgora”, era um local de encontro para discutirem sobre problemas da sociedade, se relacionarem com os outros... Enquanto hoje para maioria da sociedade é apenas um local de passagem.
Foi então que ao meu lado sentou-se um senhor estranho, vestido com roupas estranhas e ele começou a conversar comigo:
- Por que todos passam apressados por esta “àgora”, não param para conversar, admirar o local?
Perguntei a ele:
- O senhor sabe onde estamos?
- Sim eu sei, em uma “àgora”, em Atenas, mas não estou entendendo o estranho comportamento e vestimenta de todos.
- Senhor, estamos em uma Praça em São Luís- MA, no Brasil.
- Mas, como pode, eu estava em Atenas e agora estou aqui neste tal de Brasil?!
- Meu Deus, mas que coisa estranha. Como você se chama?
- Sócrates.
- Eu é que pergunto como pode, estamos no ano de 2008 e você, que se diz Sócrates, que viveu de 470 a 399 a.C., isso é muita loucura devo estar cansada ou delirando.
- Não, eu estou aqui, apesar de tudo ser muito confuso, mas para tudo há uma resposta. Então me fale sobre você e sua época.
Sócrates e eu conversamos durante horas e ele me perguntou por que as pessoas passavam umas pelas outras e não se cumprimentavam ou paravam para conversar ou pelo menos andar mais devagar para admirar o que havia de bonito ali naquele lugar. E eu respondi que as pessoas desta época vivem sem tempo para quase tudo, até para viver a vida como se deve, vivem aqui apenas para ganharem dinheiro e sobreviver, ou seja, vivem por viver.
E quando terminei de lhe responder, ele começou a sumir e cordialmente despediu-se de mim. Olhei para os lados e não mais o vi, o sol já estava desaparecendo no horizonte e eu ali sentada em um banco da Praça Deodoro desde a manhã, sem muitas perguntas para eu mesma, fui para casa, sabendo que amanhã voltaria tudo ao normal.
ANNE RABELO
DESIGN DE PRODUTO - TURMA 204 / julho de 2008
há mais ou menos quatro anos escrevi um texto para minhas aulas sobre o papel da filosofia no mundo, tendo como ponto de referência a figura de Sócrates; a idéia na época foi a de problematizar o pensamento socrático tendo como cenário a Praça Deodoro, em São Luís, e a minha inquietação era, entre outras coisas, saber o que Sócrates nos diria, ao ver este cenário contemporâneo?... Seria fantástico viajar no tempo, e tê-lo conosco para um diálogo daqueles, que podemos ler nas obras de seu mais ilustre discípulo (Platão). Daí, partindo dessa situação hipotética, lancei o mesmo desafio aos alunos, e até hoje continuo lançando...
Este texto é bem recente, da Anne Rabelo, nossa colega amiga da turma fantástica 204, de Design de Produto; o título, como podem observar, foi mantido por ela.
Abraços em todos! E obrigado, Anne pelo belo texto!!!
Até breve!
Jorge Leão
SÓCRATES NA PRAÇA DEODORO
Mais um daqueles dias, em que estava atrasada para chegar ao trabalho no horário, tentava correr entre aquela multidão que passava assim como eu, atrasada, na Praça Deodoro. Então, sem um porquê lógico a princípio, eu parei subitamente em meio àquelas pessoas, e me perguntei:
- Por que correr daquele jeito? Por que passar correndo em lugares que merecem muito mais serem admirados do que pisados na correria do dia-a-dia?
Sentei-me em um banco e esquecendo-me do horário, do atraso e de tudo mais que pudesse tirar minha concentração, tentava achar respostas para as perguntas tão confusas ao meu pensamento. Lembrei-me de um certo filósofo grego que ouvi falar durante toda a minha vida, mas que descobri quem realmente era e o que fazia, quando cursei a 5ª série, chamava-se Sócrates, era um gênio e apesar de toda sua inteligência e astúcia para desenvolver teorias até hoje aceitas por muitos, não se considerava com tal estima.
Imaginei o que Sócrates pensaria dessa nova utilização da praça, levando em consideração que a praça em sua época, quer dizer a “àgora”, era um local de encontro para discutirem sobre problemas da sociedade, se relacionarem com os outros... Enquanto hoje para maioria da sociedade é apenas um local de passagem.
Foi então que ao meu lado sentou-se um senhor estranho, vestido com roupas estranhas e ele começou a conversar comigo:
- Por que todos passam apressados por esta “àgora”, não param para conversar, admirar o local?
Perguntei a ele:
- O senhor sabe onde estamos?
- Sim eu sei, em uma “àgora”, em Atenas, mas não estou entendendo o estranho comportamento e vestimenta de todos.
- Senhor, estamos em uma Praça em São Luís- MA, no Brasil.
- Mas, como pode, eu estava em Atenas e agora estou aqui neste tal de Brasil?!
- Meu Deus, mas que coisa estranha. Como você se chama?
- Sócrates.
- Eu é que pergunto como pode, estamos no ano de 2008 e você, que se diz Sócrates, que viveu de 470 a 399 a.C., isso é muita loucura devo estar cansada ou delirando.
- Não, eu estou aqui, apesar de tudo ser muito confuso, mas para tudo há uma resposta. Então me fale sobre você e sua época.
Sócrates e eu conversamos durante horas e ele me perguntou por que as pessoas passavam umas pelas outras e não se cumprimentavam ou paravam para conversar ou pelo menos andar mais devagar para admirar o que havia de bonito ali naquele lugar. E eu respondi que as pessoas desta época vivem sem tempo para quase tudo, até para viver a vida como se deve, vivem aqui apenas para ganharem dinheiro e sobreviver, ou seja, vivem por viver.
E quando terminei de lhe responder, ele começou a sumir e cordialmente despediu-se de mim. Olhei para os lados e não mais o vi, o sol já estava desaparecendo no horizonte e eu ali sentada em um banco da Praça Deodoro desde a manhã, sem muitas perguntas para eu mesma, fui para casa, sabendo que amanhã voltaria tudo ao normal.
ANNE RABELO
DESIGN DE PRODUTO - TURMA 204 / julho de 2008
Processo contínuo
Socializo com os amigos e amigas de nosso blog esta reflexão de nossa aluna Mayra Lisboa, mais uma colaboração dela, sobre o que estamos a fazer de nossas vidas... muito bom o texto! Abraços em todos os alunos da 205! Valeu!
Jorge Leão
Processo contínuo
Somos eternos aprendizes da vida. A aprendizagem é algo contínuo, que, com o passar do tempo, se torna cada vez mais, independente da idade, importante. Não sabemos de tudo, ou melhor, não nascemos sabendo, e tudo que temos a falar para os nossos filhos, netos ou bisnetos, simplesmente aprendemos, com a vida.
Muitos dizem que as pessoas devem curtir a vida, mas a verdade é que muitas vezes esse "curtir", faz com que as pessoas percam ao invés de ganhar, grande parte de suas vidas. Mas... pra quê? Porque as pessoas não vivem para construir uma vida, que mesmo após a morte, nunca morrerá. Insistem em serem escravos de um mundo e de um cotidiano que irá acabar.
Muitos dizem que não são nada, mas a verdade é que "nada", é a não-existência; essas pessoas existem, têm uma vida, porém não fazem valer essa existência.
Por que não pensar, por que não agir? Pois a nossa única prisão hoje somos nós mesmos. As pessoas não vieram ao mundo simplesmente para crescer, casar, ter filhos e morrer, existe algo mais, mais importante e valoroso do que somente isso. Onde estão nossas forças, que tanto insistimos em demonstrar, sendo violentos, matando, roubando, onde está esta força na hora de fazer a diferença? Nessa hora, é que mostramos o quão somos fracos e impotentes, o quão somos pequenos e incapazes de mostrar nossas "asas" quando é preciso. É neste momento, que podemos nos denominar um "nada", vazio e sem existência, pois não somos sequer capazes de mostrar o quanto somos fortes e ágeis diante das injustiças do mundo.
Mayra Francisca M. Lisboa
Design Gráfico, 205
Julho de 2008
Jorge Leão
Processo contínuo
Somos eternos aprendizes da vida. A aprendizagem é algo contínuo, que, com o passar do tempo, se torna cada vez mais, independente da idade, importante. Não sabemos de tudo, ou melhor, não nascemos sabendo, e tudo que temos a falar para os nossos filhos, netos ou bisnetos, simplesmente aprendemos, com a vida.
Muitos dizem que as pessoas devem curtir a vida, mas a verdade é que muitas vezes esse "curtir", faz com que as pessoas percam ao invés de ganhar, grande parte de suas vidas. Mas... pra quê? Porque as pessoas não vivem para construir uma vida, que mesmo após a morte, nunca morrerá. Insistem em serem escravos de um mundo e de um cotidiano que irá acabar.
Muitos dizem que não são nada, mas a verdade é que "nada", é a não-existência; essas pessoas existem, têm uma vida, porém não fazem valer essa existência.
Por que não pensar, por que não agir? Pois a nossa única prisão hoje somos nós mesmos. As pessoas não vieram ao mundo simplesmente para crescer, casar, ter filhos e morrer, existe algo mais, mais importante e valoroso do que somente isso. Onde estão nossas forças, que tanto insistimos em demonstrar, sendo violentos, matando, roubando, onde está esta força na hora de fazer a diferença? Nessa hora, é que mostramos o quão somos fracos e impotentes, o quão somos pequenos e incapazes de mostrar nossas "asas" quando é preciso. É neste momento, que podemos nos denominar um "nada", vazio e sem existência, pois não somos sequer capazes de mostrar o quanto somos fortes e ágeis diante das injustiças do mundo.
Mayra Francisca M. Lisboa
Design Gráfico, 205
Julho de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
É possível uma alternativa aos vestibulares?
Vejamos um debate intrigante e necessário, quando o tema é vestibular. E você, o que pensa disso? Eis um texto refletindo sobre este tema polêmico, a partir de uma experiência interessante, que são os projetos de iniciação científica júnior, realizada por meio de um convênio entre FAPEMA e escolas públicas maranhenses. Opine sobre o debate, deixando aqui seu comentário...
Abraços quixotescos!
Jorge Leão
É possível uma alternativa para os vestibulares ?
No cenário contemporâneo, a proposta de um conhecimento integrado faz-se de urgente presença. Desse modo, observa-se a necessidade de uma mudança de paradigma, isto é, de modelo interpretativo, a partir da visão de escola que ainda vigora. Os problemas globais exigem soluções interdisciplinares. Não se pode mais conceber a resolução de problemas de ordem complexa com práticas fragmentadas ou mesmo isoladas de um contexto mais amplo. Pensar a escola, então, a partir de bases científicas contextualizadas às exigências do ser humano nas teias de relações em que tece sua jornada neste planeta. Eis o grande desafio.
Ora, uma das vias de acesso a este processo de pensamento integrado no ambiente escolar é a prática da pesquisa científica. Entre professores e estudantes, as iniciativas deverão estar fomentadas dentro de uma metodologia investigativa e participativa. Com o vínculo da pesquisa científica, o próprio entendimento do papel da escola muda radicalmente. Dentro da realidade vista em nosso mundo contemporâneo, o trabalho pedagógico deve ser realizado a partir de uma visão holística de conhecimento, isto é, compreendendo o ser humano integralmente, a fim de contribuir para a inserção da escola de modo transformador no mundo globalizado em que a mesma se situa. Como assinala o pensador francês contemporâneo, Edgar Morin: “um pensamento capaz de enfrentar a complexidade do real, permitindo ao mesmo tempo à ciência refletir sobre ela mesma” (MORIN, 2005, p. 31).
Mas, é possível observar este novo modelo no contexto da escola contemporâneo? Ora, aqui no Maranhão, algumas escolas públicas estão iniciando esta árdua caminhada por meio da inserção da pesquisa. No contexto específico do Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão, e também outras instituições como o Liceu Maranhense e o CEGEL, foi realizado um convênio interinstitucional com a FAPEMA, Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão, desde o ano de 2006, pelo Programa de Iniciação Científica Júnior, o PIBIC-Jr., em que vários projetos de pesquisa foram desenvolvidos com êxito, tanto a nível de ensino médio quanto a nível de cursos técnico-integrados (no caso do CEFET-MA), no período de um ano, com bolsas mensais no valor de R$ 100,00 para cada bolsista. Vale aqui o registro da participação de nossos estudantes pesquisadores na 59ª Reunião Anual da SBPC, e da 15ª SBPC Jovem, na cidade de Belém – PA, no período de 8 a 13 de julho de 2007, como, mais recentemente, na 60ª SBPC em Campinas, e na 16ª SBPC Jovem, nos dias 13 a 18 de julho de 2008, com um ótimo desempenho de todos os representantes maranhenses. A avaliação dos professores é que os resultados finais dos projetos indicam um nível de responsabilidade, compromisso com a pesquisa pelos jovens estudantes, sem falar na mudança de percepção do papel da escola pelos próprios estudantes, elementos que nos entusiasmam e ratificam a certeza de que o caminho da pesquisa promove a autonomia intelectual.
Por isso, a Coordenação do Projeto PIBIC-Jr, no CEFET-MA, representada pelo incansável trabalho do Professor Fábio Henrique Silva Sales, apresenta este relato de experiência, no intuito de oferecer uma proposta concreta e alternativa de ingresso nos cursos de ensino superior por parte dos estudantes bolsistas e pesquisadores às nossas Universidades. A proposta é que toda pesquisa deverá ser acompanhada pelo professor orientador e pelo setor pedagógico da escola, a partir da instauração de um Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar, e, ao término da mesma, os estudantes deverão apresentar um relatório final da pesquisa com os resultados obtidos a uma banca avaliadora, tal como já é feito junto à FAPEMA. A depender do desempenho dos estudantes, o conceito alcançado servirá de critério para o ingresso nos cursos superiores de nossas instituições de ensino, sem o tradicional vestibular.
Espera-se com isso ter uma avaliação mais profunda e qualitativa de ingresso de nossos jovens estudantes à Universidade. Como se sabe, o perfil de um aluno memorizador de fórmulas ainda predomina com os modelos de vestibular vigentes. No entanto, a pesquisa científica, já a nível médio, vem paulatinamente mudando este cenário, com o desenvolvimento de uma postura crítica, problematizadora dos conteúdos transmitidos, e também pela capacitação dos jovens estudantes a trabalharem em equipe e dando a eles elementos fundamentais para a promoção de atividades efetivamente crítico-reflexivas na escola, como produção de artigos científicos, relatórios de atividades, realização de pesquisas de campo, participação de grupos de estudos e em eventos científicos, a nível local e nacional.
Portanto, os benefícios da pesquisa na escola vinculam-se à contribuição que a ciência, apresentada pela realização de projetos de iniciação científica, poderá oferecer a um novo entendimento do papel da escola, em que professores e estudantes, estejam inseridos de modo direto no contexto concreto da sociedade em que vivemos. Sabe-se, contudo, que muitos interesses mercadológicos vão refutar tal proposta. Mas, já é chegado o tempo de debatermos com a sociedade se queremos manter nossos jovens robotizados pela memorização de dados inúteis à vida, como ainda é prática rotineira da maioria dos exames vestibulares, ou se a escola deve ser compreendida realmente como um instrumento de produção científica, autonomia intelectual e cidadania.
Jorge Leão
Professor de Filosofia do CEFET-MA e membro do Movimento Familiar Cristão
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAGNO, Marcos. Pesquisa na Escola – o que é como se faz. 19.ed. São Paulo: Loyola, 2005.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. 28. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MORIN, Edgar. Ciência com Consciência. 8. ed. revista e modificada pelo autor. Tradução: Maria D. Alexandre e Maria Alice Sampaio Dória. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
______. A Religação dos Saberes – o desafio do Século XXI. 3. ed. Tradução e notas de Flávia Nascimento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
Assinar:
Postagens (Atom)
