domingo, 31 de agosto de 2008

Filosofia e Música na análise de "Esquadros"

Compartilho com os amigos de nosso blog a bela contribuição de nossa amiga e sempre atuante Dayanna, apaixonada pela Filosofia e pela Música, além de ter uma bela voz. Obrigada, "Lady Day" por abrilhantar o nosso blog, de um projeto que você conhece tão bem...
Com vocês, uma proposta dinâmica de música nas aulas de Filosofia.
Beijo no fígado de todos...
Jorge Leão

Aula de filosofia e música: como uma forma de repensar o sentido da vida.

Quando o objetivo da aula de filosofia é ser um meio de problematizar e criar conceitos sobre realidade, a disciplina é de modo diferente pelos alunos. Assim, filosofar não é repetir frases reflexivas dos grandes filósofos, mas pensar como levar esses conceitos para a vida prática. Diferente do estudo enciclopédico da Filosofia feito no Ensino Médio, ela pode sim ser mais que uma simples disciplina que preenche o currículo escolar, dependendo da metodologia usada pelo professor-filosófo nas aulas. Neste contexto a experiência artística torna-se um perfeito recurso.

Pensando na realização do ser humano, a Filosofia surge como uma saída contra os problemas da alma humana. Uma oportunidade para isso é trabalhando com os alunos sobre O sentido da vida. Que pessoa eu quero ser? Quais valores seguirei? Ou ainda, a que darei prioridade na vida? Podem ser algumas indagações. E tendo problematizado o tema, o ser humano dá inicio a busca das respostas. Aqui entra a dinâmica do uso da Arte. A música é uma sugestão envolvente. Afinal, quem não gosta de música? A seguir, a análise de uma música que pode ser trabalhada na aula de Filosofia, quando o tema é o sentido da vida.

Música: Esquadros - Adriana Calcanhoto

Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome. Cores de Almodóvar, cores de Frida Khalo, cores. Passeio pelo escuro, eu presto muita atenção no que meu irmão ouve. E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora. Eu quero chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus. Eu ando pelo mundo divertindo gente chorando ao telefone, e vendo bater a fome nos meninos que tem fome.

Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela janela. Quem é ela, quem é ela? Eu vejo tudo em quadrado, remoto controle.


Eu ando pelo mundo e os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dos lados, de um lado, eu gosto de opostos, exponho meu modo, me mostro, eu canto para quem?

Eu ando pelo mundo e meus amigos cadê, minha alegria, meu cansaço. Meu amor cadê você, eu acordei, não tem ninguém ao lado.


A letra da música é muito rica e cheia de significados. A proposta é tentar identificar o que está por trás de cada expressão.

Logo no início a expressão eu ando pelo mundo, nos convida a refletir o que viemos fazer no mundo. Seria só uma passagem (eu ando), ou teríamos outra missão? Cada um pode pensar nas atividades que realiza. Estudar só para garantir uma vaga na universidade, seguir qualquer profissão que dê muito dinheiro ou entender o amor apenas como obtenção de prazer. Em quase tudo vemos interesses que fazem do sentido da vida um andar descomprometido, “que não se sabe o nome” ou que “se passeia pelo escuro”.

O refrão reporta a vida sem preocupação com o social. Preferimos olhar “os meninos que têm fome”, ou seja, todos os que sofrem “pelas janelas”. Que janelas são essas? Criamos várias. A janela da individualidade porque preferimos nos fecharmos em nossos problemas ou a janela do medo porque fechamos o vidro do carro amedrontados com as outras realidades.

A vida pragmática exige que tudo seja rápido e solucionado apenas apertando um botão de um “remoto controle”. A correria do dia nos leva pro lado oposto ao caminho de felicidade das brincadeiras “das crianças”. È preciso reservar tempo para se viver o melhor da vida e é preciso aproveitar o nosso tempo que é fugaz e imprevisível. Sem isso torna a vida sem sentido, “eu canto para quem?”.

“E meus amigos cadê?” Também, viver só é ter uma vida sem sentido. É preciso saber dar importância às trocas de experiências com quem está do nosso lado. Alunos de Filosofia devem aprender no Ensino Médio que precisam se formar para ser cidadãos responsáveis pelo lugar que vivem.


Dayanna Gomes Santos

Ex-aluna do 3 ano médio do CEFET-MA, em 2007, bolsista durante dois anos no CEFET-MA do Programa de Iniciação Científica Júnior, orientada pelo Professor Fábio Sales, e colaboradora do projeto de pesquisa "Filosofia com Arte no Ensino Médio", atualmente estudante de Psicologia da UFMA.

3 comentários:

filosofia com arte disse...

Querida Dayanna, você é maravilhosa, com seus textos sempre excelentes, seu interesse pelo projeto e sua presença sempre nos encorajando a cantar novas melodias filosóficas. Obrigado, de coração, te amo muito!!!
Jorge Leão

Dayanna disse...

Eu é que agradeço a sua acolhida no projeto filosofia com arte. Aprendi muito com todos os bolsitas e com o senhor, que é um mais que um filósofo, mais alguém com um compromisso maoir com a educação. Pode contar comigo sempre!!!
Beijos

Miriam Stos disse...

nota mil pra vc responsável pelo trabalho, melhor que saber e dividir o que se sabe Deus abençoe assim e que sua geração seja tão prospera quanto o seu trabalho meus parabens lindo lindo mesmo