domingo, 1 de março de 2009

A liberdade

Amigos e amigas da sabedoria,
aí vai um texto sobre esse tema instigante para a filosofia, e é trabalhado no tópico Introdução ao estudo da Ética,
abraços quixotescos,

Jorge Leão

A liberdade

As gaiolas estão agora vazias. Todos os pássaros que nela estavam se foram... Agora estão gozando de ventos, fortes ou fracos, voando por sobre as cabeças daqueles que um dia os escravizaram. ..Seria um sonho, essa tal liberdade? Confundir-se- ia com a libertação de algo ou de alguém? Exigiria um abrir drástico de tantas e tantas gaiolas que insistem em permanecerem fechadas?

Perguntas e perguntas...

Todas em vão...Qual o sentido de tais desejos, se deles não pudéssemos extrair algo de real e participante em nosso tato? Tato, por vezes, tão insensível... Insensibilidade e o seu avesso, talvez sejam estes os grilhões que nos aprisionam ou queiram carnalmente nos humanizar... Sensibilidade dos santos, que viram ser possível o sonho de suas mais remotas esperanças, liberdade em sentido vital, por isso, lançaram-se tão misteriosamente aos braços do Divino Senhor... Sensibilidade aos apelos das calçadas... Liberdade da escuta e do serviço... Se somos realmente livres, como nos limitarmos às imposições dos dogmas da escravidão social?

Perguntas e perguntas...

As gaiolas estão agora vazias... Restam a água e um pouco de alpiste; e o essencial, ao nosso mesquinho odor de liberdade, o pássaro? Não está mais ali, fechado, resumido, limitado... Venceu a frieza do túmulo, levantou-se. .. afastou a pedra do sepulcro, voou simplesmente! E agora?...

Perguntas...

Eu estaria em paz vendo todos os pássaros voando... Todas as crianças brincando, sorrindo e correndo... Todas as mesas fartas de pão e de amor... Vendo cada poema de caridade sendo levado aos altares abençoados todos pelo desejo visceral do Pai de todas as liberdades. Enquanto não chega esse tempo, sinto-me cada vez mais prisioneiro de todas as liberdades, manifestando o irrequieto ardor de ir à busca do concreto das respostas.

Respostas concretas...

Liberdade vivida a cada passo, a cada pulsação, a cada respirar... Liberdade que canta o canto de Francisco de Assis... Liberdade que não se cansa de abrir as portas das gaiolas, deixando-as ulteriormente repletas de teias de aranha... Liberdade que nasce na terra e continua no céu... Respostas concretas... Liberdade viva... Assim, creio que minhas dúvidas e perguntas não sejam em vão ou se tornem vãs, esquecidas pela escravidão do tempo.

Jorge Leão
Em: 31 de janeiro de 1997.

2 comentários:

Ramony disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ramony disse...
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