terça-feira, 9 de setembro de 2008

Aspectos da fotografia em aproximação com temas de filosofia da arte

Caros amigos da sabedoria, indico neste texto sugestões para as aulas de filosofia da arte, tendo a fotografia como elemento fomentador da dinâmica. Boas imagens! Sempre!
Abraços quixotescos! Jorge Leão

ASPECTOS DA FOTOGRAFIA – aproximações com temas de filosofia da arte

Fotografar implica em um recorte da realidade > exige atenção e percepção.

A fotografia constitui um modo de documentação > em documentação há sempre um momento de aprendizagem.

É importante, se formos trabalhar no contexto escolar, levar a câmera às mãos dos estudantes, todos devem ter acesso à máquina; isso faz deles protagonistas do conhecimento. Aqui, é importante frisar o aspecto fundamental da autonomia intelectual, por exemplo, no pensamento de Paulo Freire.

A fotografia poderá constituir um grande instrumento para a formação de professores e estudantes, pois é uma linguagem que trabalha com as imagens. Estas, por sua vez, ajudam na formação de conceitos e idéias. Este é o vínculo de aproximação com os conteúdos filosóficos. A filosofia como experiência de criação de conceitos pode ser melhor compreendida no texto "O que é filosofia?", de Deleuze - Guatarri (RJ: Editora 34, 1992).

Fotografar possibilita o desenvolvimento da percepção. É, pois, uma forma de narrar a realidade. É diferente do desenho, da escrita, contudo ela amplia a experiência visual de quem registra a realidade pela fotografia.

A narração é uma forma de manter-se vivo. Narra-se para não morrer (ver Sherazad, em “Mil e uma Noites”; e o personagem de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis).

Relações entre Fotografar e filosofar: Olhar profundamente as coisas > criar âmbitos de liberdade por meio das imagens fotografadas > a representação é um modo de conhecer o mundo.

O entendimento de percepção aqui corresponde à interpretação dos estímulos oriundos da realidade. Assim, a percepção de quem fotografa jamais será o conhecimento exaustivo e total do objeto, e sim uma interpretação provisória e incompleta, fundamentada em indícios ou sinalizações. (Cf. ABAGNANO, N. Dicionário de Filosofia, Percepção, pp. 753-756).

Representação: origem medieval, indica: imagem ou idéia, ou ambas as coisas. O uso desse termo foi sugerido aos escolásticos (séc. XIII) pelo conceito de conhecimento como “semelhança” do objeto. “Representar algo” – dizia S. Tomás de Aquino – “ significa conter a semelhança da coisa”. Em Descartes, o termo passa a ter importância com a noção de “idéia” como “quadro” ou “imagem” da coisa (Meditações, III). Deve-se a Wolff (filósofo alemão, início do séc. XVIII) a difusão do uso desse termo nas outras línguas européias. Kant (1724 – 1804 ), na Crítica da Razão Pura (Dialética, livro I, seção I) estabeleceu seu significado mais geral, considerando a representação como gênero de todos os atos ou manifestações cognitivas, independentemente de sua natureza de quadro ou semelhança. (Cf. ABAGNANO, N. Dicionário de Filosofia, Representação, p. 853).

Temas como esses podem ser inseridos também em Introdução à Filosofia da Arte, em que tópicos como "percepção", "imagem", "representação", constituem elementos importantes para a experiência estética, aqui exemplificada pela fotografia.

Abraços quixotescos!

Jorge Leão
Em: 25 de Outubro de 2007

2 comentários:

LUMIAR disse...

Excelente! A aproximacao da filosofia com a fotografia. Seu texto me ajudará em muito na pesquisa que estou fazendo sobre a fotografia na educacao filosófica.

Adeilton Nogueira disse...

Excelentes referencias! Também estou pesquisando na área...