quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Uma música com anima

Uma música com anima

Hoje, dia 4 de novembro de 2010, trabalhei com a turma 203 de Eletrônica, a música Anima, cujo foco central foi a filosofia socrática. A partir da tese de que “o homem é a sua alma”, e do enfoque de que somos seres pensantes, seguimos com a relação com a “normose” (citei o Professor Hermógenes, e o seu entendimento do que vem a ser a “normose”), após citando a Matrix (do filme The Matrix, que estou a trabalhar com eles), não permitindo tais elementos o mergulho na essência de nós mesmos.

É esta a saída necessária da caverna, de que nos fala Platão, e que na música entra em destaque, quando os autores colocam: “Alma, vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceber. Casa cheia de coragem, vida, tira a mancha que há no meu ser. Te quero ver, te quero ser, alma”.
Ainda foi possível enfatizar o texto de Karl Jaspers, “a filosofia no mundo” (de sua obra Introdução ao pensamento filosófico), como experiência fundamental para o amadurecimento espiritual do ser humano. Na música, o trecho: “Lapidar minha procura toda, trama, lapidar o que o coração com toda inspiração achou de nomear gritando, alma”, é ilustrativo para o fecundo trabalho de uma necessária saída do imediatismo previsível (normose) em que a corrida pelos bens materiais nos engaiola.

Filosofia é, pois, um processo constante de recriação de novos mundos, assim como a arte. Traz a música este aspecto, ao nos dizer: “Viajar nessa procura toda de me lapidar, neste momento, agora, de me recriar. De me gratificar, te busco, alma, eu sei”.

A filosofia nos instiga, portanto, a descobrir o seu ensino. Sócrates afirma que o conhecimento está dentro da alma, mas que, quase sempre, precisamos de um “mentor”, o parteiro, para nos ajudar na dolorosa saída da caverna (como o Morpheus, do filme The Matrix). É na casa do conhecimento pela verdade que o homem é verdadeiramente livre. O amor pela sabedoria(filosofia) é a chave para a conquista da auto-realização. É lá que se acha a morada dos filósofos. Eis como a música nos fala disso: “Casa aberta onde mora um mestre, o mago da luz, onde se encontra o templo que inventa a cor, animará o amor”...

Para finalizar, deixo com vocês a letra da música:

Anima José Renato / Milton Nascimento

Alma, vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceber Casa cheia de coragem, vida, tira a mancha que há no meu ser Te quero ver, te quero ser, alma... Lapidar minha procura toda, trama, lapidar o que o coração com toda inspiração achou de nomear gritando, alma...Recriar cada momento belo já vivido e ir mais, atravessar fronteiras do amanhecer e ao entardecer olhar com calma então...Alma, vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceberCasa cheia de coragem, vida, tira a mancha que há no meu serTe quero ver, te quero ser, alma...Viajar nessa procura toda de me lapidar, neste momento, agora, de me recriarDe me gratificar, te busco, alma, eu sei...Casa aberta onde mora um mestre, o mago da luz, onde se encontra o templo que inventa a cor, animará o amor... onde se esquece a paz...Alma, vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceber. Casa cheia de coragem, vida, todo afeto que há no meu ser. Te quero ver, te quero ser, alma...Te quero ser, alma... te quero ser, alma... te quero ser... Além da belíssima interpretação do grupo “Boca Livre”, do qual o Zé Renato faz parte. Alguns alunos perceberam certos detalhes interessantes da letra, com a temática da filosofia. Outra música oportuna, de profundo conteúdo filosófico.

Abraços anímicos...

Jorge Leão
Professor de Filosofia do IFMA – Campus Monte Castelo

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