sábado, 12 de julho de 2008

Análise de um quadro de Rembrandt: o filósofo meditando


Caros apreciadores e amantes da filosofia e da arte, apresento aqui um exemplo de como podemos associar elementos das artes plásticas às aulas sobre Filosofia da Arte, quando da apresentação dos elementos básicos do processo de criação, a saber: a imagem, a percepção e a representação de uma idéia.
Este quadro do pintor holandês Rembrandt (1606 - 1669) é um dos que trabalhei em sala de aula, durante as aulas sobre Filosofia da Arte, para as turmas de 3 ano, em novembro de 2007, para falar da condição humana do pensar e de sua relação com a criação estética.
Na minha opinião, ele merece uma atenção especial, sobretudo por que focaliza no ambiente da intimidade do pensador alguns elementos em contraste, como a escada em espiral, que se vê iluminada em sua base, deixando a sombra para a subida, como no processo do conhecimento, também em espiral, que nos impõe um certo impulso inicial, movido pelo prazer clarividente da descoberta, mas que depois é marcado por vários contrapontos, entre eles a dúvida e os constantes embates com a experiência. É importante frisar para os alunos sobre a importância do processo do conhecimento para a história da filosofia, desde a Antiguidade, até o momento em que se situa a obra de Rembrandt, isto é, na transição do período medieval para a Modernidade, com a expressão marcante dos pensadores renascentistas, que haviam retomado temas clássicos em suas obras, iniciados pelos filósofos gregos, dentre eles, o problema do conhecimento humano.
Outro ponto interessante de ser abordado nesta tela do pintor holandês é o foco de luz vindo da janela, aspecto característico de muitas de suas obras, como presença impactante no interior do quarto, dominado pela fraca luminosidade de uma quase desapercebida lareira à direita . O filósofo, em sua postura contemplativa, é como se estivesse atentamente ouvindo a canção matinal dos pássaros, ao amanhecer, aguardando com uma vivacidade silenciosa as novidades de uma janela que capta a luz cósmica, que ilumina o seu espaço cotidiano. E no canto direito, a presença de um jovem que cuida de uma pequena lareira, como a ilustrar a contraposição da vida contemplativa, representada pela presença do filósofo, e da vida operativa, cujo labor diário é dado pela execução de um ofício, no caso os afazeres domésticos. Este contraste, de certa forma, já vinha sendo apresentado desde a sociedade grega, e que encontra agora, com o advento da Modernidade, profundas mudanças de enfoque, uma vez que, paulatinamente, o trabalho manual passa a ter predominância sobre a atividade teorética, ou vida contemplativa.
Caros amigos e amigas,
Esses são, portanto, alguns elementos que podem ser trabalhados em sala de aula, quando de um tema tão recorrente à Introdução à Filosofia da Arte, como imagem, percepção e representação eidética, que é de fato marca significativa da expressividade estética de um gênio precioso como o de Rembrandt.
Abraços quixotescos! E até o próximo encontro com outros quadros!
Jorge Leão

Um comentário:

joelson disse...

Aqui é o Joelson Bruno ou mais precisamente jojó.Quero dizer que estou feliz em poder deixar uma mensagem aqui e dizer que fico muito feliz em poder manter contato de novo.